Memórias agrestes – Mateus Lira

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"Ei, é um poeta nascendo aqui", nos diz o prefácio de Leo Mackellene: devemos prestar atenção quando nasce o poeta.

Memórias agrestes é o primeiro livro do cearense Mateus Lira, que nos poemas reflete sobre suas experiências nas cidades e os estados pelos quais passou: Cariré, Fortaleza, Sobral e Rio de Janeiro, onde viveu uma temporada trabalhando como livreiro.

"É como um grito guardado há muito, no peito de quem, ainda jovem, já viu muito; é um livro de poesia, mas antes de sê-lo é um diário poético de viagem de um jovem nômade", reflete o multiartista Djabo Grande no texto de orelha.

O poeta está só, nas suas memórias agrestes, como agreste é o mundo todo, ainda que tudo esteja em movimento.

– Ilustração de capa de Priscila Reinaldo.

O autor:

Mateus Lira é poeta e produtor cultural independente. Nasceu em 1996 em Cariré (CE). Entre 2015 e 2016 viveu na cidade do Rio de Janeiro. Formou-se em Filosofia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Atualmente está radicado em Sobral (CE).
Publicou alguns poemas em revistas eletrônicas. Também participou da Coletânea de Poetas Brasileiros Contemporâneos, organizada pela Editora Persona.

 

Dois poemas do livro:

 

FACA FUTURISTA

vejo como ofensa o tempo no meu rosto.
feito rugas, o nada, o fato feito rugas.
linhas cegas, uma faca invisível matando aos
poucos.

o nada como futuro, a cadeira de balanço
verde-escura e uma calçada pura, o nada
como futuro.

 


CRÍTICA SOBRE AS GRANDEZAS DO NADA

Afinal,
O que sobra
À sombra de uma vida
É um segredo enxugado.

Da vida só desaprendo
Deito-me e me levanto
Sob o nada aconteço
À velocidade de um espirro.

Toco o nada.
A janela do quarto.
Ser metade, meio litro.
Ser cheio, todo o litro.
Ser litro vazio.

O que sobra de uma vida?
Se antes disso nem vida era,
Por que é que sou algo,
Nesta hora?